Da psicanálise e da arte

Da psicanálise e da arte

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A arte permeia minha vida. Um filho escritor e desenhista que “pega” música de ouvido. O outro filho, um pianista entusiasmado. Amigos escritores, atores, músicos, sem falar nas artistas plásticas e fotógrafas. Minha vida está repleta de artistas.
Quase me esquecia dos pacientes. Cada um se expressando como forma de se manter vivo. Vivo e, não apenas, sobrevivente.
Não poderia deixar de pensar em Freud.
Ele sempre esteve às voltas com a ciência e a arte. Quando se referia a elas, era do ponto de vista da criação.
Criação é um dos temas que interessava à Freud e agora aos psicanalistas contemporâneos.
Para Freud, a capacidade privilegiada de criar, que alguns têm e outros não, é o grande mistério.
Ele define algumas qualidades, capacidades e limitações que seriam características dos artistas: “Isto porque existe um caminho que conduz da fantasia de volta à realidade – isto é, o caminho da arte”.
Um artista tem, para ele, certa tendência à introspecção. Sujeitos intensos, ele define. Consequentemente, afasta-se da realidade e transfere todo o seu interesse, e também toda a sua libido, para as construções, plenas de desejos, de sua vida artística, de onde o caminho poderia levar à neurose, se não fosse tratada pela via da criatividade.
Para Freud a constituição psíquica do artista provavelmente conta com uma intensa capacidade de sublimação e com determinado grau de frouxidão do recalcamento, o que lhe possibilita liberdade criativa.
Poeticamente ele diz que “Um verdadeiro artista tem mais coisa à sua disposição. Em primeiro lugar, sabe como dar forma a seus devaneios de modo tal que estes perdem aquilo que neles é excessivamente pessoal e que afasta as demais pessoas, possibilitando que os outros compartilhem do prazer obtido nesses devaneios. Também sabe como abranda -los de modo que não traiam sua origem em fontes proscritas. Ademais, possui o misterioso poder de moldar determinado material até que se torne imagem fiel de sua fantasia; e sabe, principalmente, por em conexão uma tão vasta produção de prazer com essa representação de sua fantasia inconsciente, que, pelo menos no momento considerado, as repressões são sobrepujadas e suspensas. Se o artista é capaz de realizar tudo isso, ele possibilita a outras pessoas, novamente, obter consolo e alívio a partir de suas próprias fontes de prazer em seu inconsciente, que para elas se tornaram inacessíveis; granjeia a gratidão e a admiração delas, e, dessa forma, através de sua fantasia conseguiu o que originalmente alcançara apenas em sua fantasia – honras, poder e o amor”.

5 thoughts on “Da psicanálise e da arte

  1. Você sempre gostou dessa interlocução, Deise. Psicanalise com a arte, com a educação, com a psicologia hospitalar. Gosto das suas postagens no face. Já estava sentindo falta das publicações da redepsi. boa sorte.

  2. Embora leigo, tocado pelo texto, penso que caberia um aprofundamento maior… a arte existe desde que o homem existe? Hieroglificamente, quero crer que sim. E até os dias de hoje, existe algum ser humano que não seja tocado por algum tipo de arte? Quero crer que não… Aí, passo a palavra aos especialistas. Parabéns pelo texto!

    1. OI! CAbe um aprofundamento. Muito grande. Não tenho ainda competência técnica para aprofundar. Mas estou buscando. Obrigada pelas palavras. Tem texto novo no blog. Pessoal e intransferível. bjs

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