O ato na adolescência

O ato na adolescência

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A tendência ao ato é uma das marcas da adolescência. Para dar sentido à vida ou enfrentar suas dificuldades, cada sujeito deve inventar um modo de se nomear. Entre essas invenções, inclui-se o correr riscos. O jovem, na falta de referências simbólicas que o auxiliem nessa passagem, utiliza-se da dimensão do ato como forma de lidar com o mal-estar provocado pela entrada na adolescência, pelo encontro sempre faltoso com o sexo e pela escolha de sua identidade sexual

O jovem se encontra desamparado, as fantasias infantis não são consistentes para efetuar um enquadramento do real, o sintoma falha e, diante da emergência do real, impõese o ato como última barreira contra a angústia. Ao adolescente só resta agir, já que pensar é perigoso demais, pois desperta as fantasias incestuosas.

Neste contexto, Lacan define que o ato pode fundar para o sujeito uma certeza, “que toda atividade humana desabrocha na certeza, ou gera a certeza”, cujo referencial, de modo geral, “é essencialmente a ação”. Assim formulado, o ato é apresentado como o inverso do pensamento – cujo paradigma é a dúvida, a incerteza, o engano. 

Lacan distingue duas dimensões do ato, a passagem ao ato e o acting out. O acting out é a vertente “do significante”; este ato vem justamente no lugar de um dizer; portanto, está inscrito no campo do Outro.É uma cena em que o sujeito endereça ao Outro um apelo, na tentativa de se nomear. Na passagem ao ato, pelo contrário, uma saída de cena: o sujeito se apaga e cai identificado ao objeto a .

A dimensão do ato é muito importante na adolescência. Os atos dos adolescentes na vertente do acting out são um apelo ao Outro nesse tempo de desamparo, constituindo uma tentativa de nomeação frente à falta do Outro. Mas, podem ser, também, uma passagem ao ato, quando o jovem não endereça nada ao Outro e, pelo contrário, o que se faz presente é um “não” proferido ao Outro.

Portanto, na adolescência o ato surge como uma saída para o impasse da relação com o Outro, quando está em questão um impossível de dizer. Na impossibilidade de se colocar subjetivamente o adolescente atua. O “ato, pode ser uma tentativa do sujeito de se separar do Outro, “recusando-se a passar pela fala e pelos semblantes por ele denunciados” . Ou seja, muitas ações praticadas pelo adolescente se inscrevem nessa dimensão. Isso possibilita uma próxima discussão sobre a maioridade penal e sobre a responsabilização do adolescente pelos seus atos.  

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