Uma mulher de 30, 40 ou 50 ….

Uma mulher de 30, 40 ou 50 ….

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Ela era uma vez uma mulher de quase 30 anos. Chega na analista e se apresenta como aquela que está sofrendo por amor. Apaixonada, viu seu namorado colocar as chaves em cima da mesa e ir embora sem olhar para trás. Ela fica pensando que o problema estava com ela. E ele se cansou.

Alguns dias depois, lá estava ele acompanhado de uma dessas mocinhas da moda. Bela, recatada e do lar, como reza a lenda. Em meses se casaram e ele passou a ter uma dona. Uma patroa bonita, discreta e boa dona de casa. E além do mais, trabalhava e dividia as despesas.

Ela? Ela foi para o divã. Chorou sozinha em banheiros das baladas mais “quentes” da cidade. Voltou de táxi, por não ter acompanhante, das festas mais comentadas. Até que descobriu, na arquibancada do Mineirão, um moreno, alto, bonito e …. da torcida adversária. Aumentou as sessões de análise.

Ela descobriu que sexo e amor podem andar separados. Que o prazer está nela mesma e em ninguém mais. Trocou o telefone e deu adeus ao moreno. Descobriu o prazer de ir ao cinema sozinha, dizer não às amigas para ficar em casa curtindo a família. Fez sua primeira corrida noturna.

Descobriu que podia falar com o chefe de igual e ganhar uma promoção por isso. Descobriu que podia reservar um apartamento em um apart hotel e ficar o fim de semana lá sozinha com um pote de brigadeiro ou acompanhada de alguém que ela desejasse.  Seis quilos mais magra, retocou a barriga que só ela enxergava.  Aceitou nova promoção e negociou o aumento de salário. Fez seu primeiro pódio numa corrida de 10 km. A analista passou as sessões para quinzenais.

Trocou de carro e viajou nele sem dar satisfações. Carimbou inúmeras vezes o passaporte. Aprendeu novas línguas e experimentou outras. Tomou champagne e nadou nua em noite de lua cheia. Pegou quem quis, disse não para quem mereceu. Chamou a melhor amiga de chata e recebeu um “muito obrigada, eu precisava disso”. Sentiu saudades dos pais e passou um fim de semana inteiro com eles. Foi para a balada e nem olhou para os lados. Muitos olharam para ela.

Apareceu um loiro, alto, olhos azuis e pediu seu número. Ela ignorou e ele insistiu. Saíram duas ou três vezes. Ela sumiu, deixou de atender seus telefonemas. A analista voltou as sessões para duas vezes semanais

Correndo na orla da Pampulha, encontrou o ex namorado, com sua “dona” pendurada nele e um carrinho de bebê. Ele 10 quilos mais magro, irreconhecível. Feinho, até. Ela tremia da cabeça aos pés. À noite, uma mensagem no celular: “você continua linda.” Ela responde: “sua família também.” Outra mensagem, agora era o loiro alto, dizendo que estava com saudades. Ela ignora.

Na análise ela diz: “agora sei que não posso ser a dona de ninguém, porque sou minha própria dona. Ele percebeu isso naquela manhã quando deixou as chaves. Soube disso antes que eu mesma descobrisse.”

Em casa ela manda um emoticon para o loiro. Ele responde com um coração . Ela arrisca pedir desculpa pelo sumiço e ele diz: ” É o que mais gosto em você. Faz com que eu tenha certeza que está comigo só na hora que você realmente quer.”

Ela reservou o flat, colocou o vinho para gelar e quando ele chegou, ela acabava de preparar o jantar. “Você cozinha?” – Perguntou o loiro. “Só para quem lava a louça”. Ela responde. E depois de fazer amor, ela dormia tranquila o sono daquelas  que se tornam mulher. E ele ainda nu, vestiu o avental. Cantarolando um blues lavou toda a louça.

E a analista? Tem saudade, sem reivindicar, pois chegou a hora de dizer adeus.

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