Fazendo escolhas

Fazendo escolhas

Sempre temos que fazer escolhas. Sempre essas escolhas trazem consequências. Mas a mais difícil delas é entre duas coisas que causam sofrimento e trazem “felicidade” ao mesmo tempo. Aí lembro-me de Jorge Forbes: “Você quer o que deseja?” Muitas vezes temos que renunciar a algo que, momentaneamente, nos deixa felizes, porque o saldo final é negativo. Mas só de pensar nessa renúncia, a dor é tão grande que pensamos em adiar a escolha por mais um tempo; mas sabemos que não escolher é escolher o fulgás, é renunciar ao desejo em nome de algo que tira de você muito mais que dá.

O querer é próprio e necessário à estrutura neurótica e é impossível na estrutura psicótica. Vale lembrar.

Ao sujeito desejante é dado querer, desde que ele possa suportar a escolha. Só havendo escolha de posição é que o sujeito se põe em análise.

Não estou falando do querer em seu sentido volitivo, de assumir, de querer isso ou aquilo. A referência aqui é de uma escolha que, embora esteja marcada desde o início de uma análise, se verifica ao seu fim – optar ou não pela permanência em um lugar onde se foi primordialmente desejado. É uma opção de absoluto particular, sem qualquer norma ou comparação, uma opção diferente.

É uma opção diferente no que não se compara à nenhuma outra; ela é criacionista, portanto. O sujeito faz uma escolha, a inventa e a sustenta. Ele é responsável por ela. E nesse registro não cabe nenhum juízo de valor. Nenhum aconselhamento é válido.

Um primeiro movimento de escolha é a transformação de uma queixa em uma questão. Ele vai fazer a ultrapassagem, do limite da circunstância, para uma outra cena, com o peso da história.

É geralmente nesses momentos que podemos situar uma frase quase padrão: “eu era feliz até que…” Da verificação desse momento anterior onde desejo e felicidade eram conjuntos é que se sai da circunstância queixosa e se abre a questão sobre o que se é e o que se quer.

A escolha é fundamental ao sujeito. É a escolha, o querer, que marca eticamente uma análise, de seu começo ao seu fim. É necessária a diferenciação entre o querer impotente e o querer impossível. O querer impotente é nomeável e expresso habitualmente de forma acusativa e referencial; o querer impossível é próprio da estrutura, da demonstração do Real que volta sempre ao mesmo lugar.

No final da análise se termina uma escolha necessária e criadora, por ser da ordem do impossível. Ali, onde era objeto, o sujeito advém com a expressão de um querer. É elevar o saber à expressão de uma verdade, sabidamente não toda.

Análise é uma escolha necessária frente ao impossível, ao impossível da relação sexual.
É criacionista. Análise não é para quem precisa. É para quem quer.

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