Menina

Menina

Um pai perfeito. Nunca deixava faltar nada. Zelava pela família. Ele sabia o que ela devia fazer. Tinha todas as respostas. Ele falava e impunha as verdades. Ele a amava e ela obedecia.
Uma mãe amorosa e protetora. Abria as correspondências para protege la. Revirava cuidadosamente as gavetas. Investigava tudo. Dividia com parentes e amigos suas descobertas. Ela era mãe amorosa e a filha aceitava.
Cresceu.
Veio um marido perfeito. Dava de tudo. Era fiel, não bebia, chegava cedo em casa, queria transar todos os dias, ela não fez resguardo. ele achou que não precisava, porque a amava. Ele era bom e ela cedeu. Colocou câmera e escuta na casa para protegê-la. Rastreou o carro e o celular dela.
Ela adoeceu. A pressão era alta. A tristeza também. Que necessidade é essa de sair correndo e fugir de tanto “amor”? É que desse tipo, o amor sufoca, prende e tenta tornar o sujeito seu objeto.

Talvez venha daí a necessidade tão grande de ficar só. Delimitar seu espaço. Dizer mais não que sim.

Ela cresceu. Envelheceu. Mas continua uma menina dividida entre o anseio e o medo de viver.


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