CUTUCANDO AS FERIDAS

CUTUCANDO AS FERIDAS


Quando criança ouvimos a mãe dizer “pára de cutucar esse machucado!” Era só criar casquinha e a gente botava o dedo até sangrar. Um ‘prazer’ em tirar a casquinha  que se formou.

Depois de grande, continuamos colocando o dedo na ferida que está se fechando.

Observe. Passam dias, semanas, meses sem mexer no que nos causa dor. Um dia,  cutucamos a ferida até o sangue jorrar de novo. Pode ser fuçar as redes sociais de alguém do passado, mandar uma mensagem e se arrepender depois, ver fotos antigas, ficar se perguntando o que poderia ter sido diferente.

Quando colocamos o dedo na ferida, vai sangrar, vai doer, vai demorar mais um bocado de tempo para ela se fechar de novo. Quanto mais a gente  mexe, pior ela fica e mais feia ficará a cicatriz. Mais difícil também.

Uma sugestão? Não cutuque a ferida que sangra. Deixe quieto tudo que pode abrir feridas em seu peito.

Não jogue fora um processo de cicatrização por algo que não vai ser nada além de repetição. Não vale a pena remoer sobre alguém ou algo que você precisa deixar para trás.

Quando somos criança, os pais ensinam a não colocarmos o dedo na ferida. Quando crescemos, precisamos ensinar à nós mesmos a não voltarmos para o que nos feriu.

Cada dia longe das coisas, relações e situações que nos causaram dor ou nos feriram no passado, é mais um dia de um processo de luto que precisa chegar ao fim. 

Ao resistir à tentação de cutucar a ferida, a gente deixa que saia de dentro tudo que precisa ser superado.Não reabrir a ferida  é impedir que a dor retorne. O tempo só cura aquilo que permitimos.

Não cutucar as feridas  é prosseguir no processo de cicatrização. Por mais atrativo que possa parecer revisitar o passado, lembre-se que sua vida já não está lá.

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