O ato do adolescente

O ato do adolescente


A tendência ao ato é uma marca da adolescência. Para dar sentido à vida ou enfrentar  dificuldades, cada sujeito deve inventar um modo de se nomear. Entre essas invenções, inclui-se o correr riscos. O jovem, na falta de referências que o auxiliem nessa fase, utiliza-se do ato como forma de lidar com o mal-estar provocado pela adolescência. O jovem se encontra desamparado e o ato aparece como forma se lidar com a angústia. 

Muitas vezes quando um adolescente pratica pequenos delitos, agem de forma grosseira, são desatentos, irresponsáveis ou fazem outras coisas que levam os pais a olharem horrorizados, podemos concluir que seus atos tiveram êxito. Pois estão endereçados a eles. Só que não para serem recriminados, mas para serem percebidos como um pedido de ajuda.  O ato vem exatamente no lugar de algo que o jovem não consegue dizer; geralmente sobre uma angústia, um mal estar ou uma dificuldade. É uma cena em que o sujeito endereça ao Outro um apelo, na tentativa de pedir ajuda. 

Portanto, na adolescência o ato surge como uma saída para o impasse da relação com o Outro, quando está em questão que o adolescente não sabe localizar nem dizer. 

Ou seja, muitas ações praticadas pelo adolescente são formas de pedir ajuda e de dizer que  há algo que não está indo bem. Isso possibilita que possamos iniciar uma próxima discussão sobre a maioridade penal e sobre a responsabilização do adolescente pelos seus atos.  

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