Sugestão de leitura

Sugestão de leitura

malestarlivro

Escrito às vésperas do colapso da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e publicado em Viena no ano seguinte, O mal-estar na civilização é um título adequado por indicar que a obra é uma investigação sobre as origens da infelicidade, sobre o conflito entre indivíduo e sociedade e suas diferentes configurações na vida civilizada.

Este clássico também constitui uma teoria psicanalítica da política no qual expõe de modo realista uma ideia avassaladora acerca do percurso empreendido pelo homem em sua longa trajetória existencial abalando uma verdade até então sagrada e, portanto, absolutamente incontestável. Tal verdade diz respeito à afirmação de que nossa civilização, tal qual está constituída, concretizaria a maior conquista do homem o qual, sob seus fundamentos, conseguira superar o estado primitivo e selvagem em que vivera durante milhões de anos para emergir vitorioso como fundador de instituições essenciais à preservação de sua existência na face terrena.

Freud não concorda com essa verdade absoluta, própria das mentes mais idealistas e afirma que “[…] boa parte da culpa por nossa miséria vem do que é chamado de nossa civilização; seríamos bem mais felizes se a abandonássemos e retrocedêssemos a condições primitivas […]” (FREUD, 2010, p.44).

Essa instigante afirmação inerente à teoria freudiana destaca as condições que se interpõem entre o ser humano e a civilização. Esta, construída pelo próprio homem, lhe garantiu um quase total domínio da natureza, porém, negou-lhe o acesso à felicidade, na medida em que exigiu, além da renúncia de seus mais valiosos instintos, uma série de ajustamentos em seu comportamento sem os quais seria impossível perpetuar a civilização. Freud dá destaque à vulnerabilidade do ser humano em face de constantes ameaças de sofrimento a se abater sobre ele. Em seu ensaio, Freud afirma que o sofrimento ameaça o ser humano e seu projeto de felicidade constantemente. De acordo com o psicanalista, a recorrência deste ameaçador e pujante sofrer derivaria de três fontes distintas, contudo determinantes da preponderância da infelicidade na existência humana.

O título permite ver que frente à necessidade do ser humano de inserir-se na sociedade, impõe-se um perigoso obstáculo à civilização. Desse modo, podemos antever no título o que o texto aponta: no seio da civilização surgem tendências a atenuar esse intenso sentimento agressivo. A inclinação para a agressão geradora da fatal permanência da hostilidade entre os membros de uma sociedade acirra os conflitos sociais, gerando um fenômeno que Freud batizou como “narcisismo das pequenas diferenças”, espécie de contenda que se interpõe entre membros de comunidades vizinhas e semelhantes em alguns aspectos. Acreditamos que tal fenômeno, aparentemente inócuo, revela-se potencialmente perigoso, na medida em que abriga em seu cerne sementes da intolerância em face da diversidade social, étnica e religiosa.

Um título complexo, que também aponta para a difícil trajetória do homem em busca da felicidade. A fim de tornar a vida compatível com os ideais da civilização, o ser humano deve conter seus impulsos inatos à liberdade, condicionando-se às regras impostas pela comunidade.

Apesar do tom sombrio com que o título nos apresenta, o podemos analisar o processo civilizatório frente à presença da pulsão de morte, como um apelo à vida. Afinal, a visão freudiana aponta tanto no título quanto no próprio texto que para o eterno embate estabelecido entre a forte presença da pulsão de morte” (FREUD, 2010, p.86) a trabalhar silenciosamente nos porões da alma humana e Eros, potente antagonista desse instinto destruidor.

 

 

 

 

feminino birman

Partindo da Ópera Carmen, Birman faz o percurso de seus estudos sobre a feminilidade em Freud. Um bom livro para quem quer iniciar pelos caminhos da feminilidade em Freud e gosta de psicanálise, filosofia e artes.

 

 

O retrato de Dorian Gray.

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Um clássico que me impressionou quando a psicanálise era apenas uma manifestação interna.

O livro leva a uma reflexão sobre o culto ao “eu”, uma característica tipicamente narcisista. Ele nos faz pensar sobre a juventude, o valor da beleza na sociedade, a vaidade e o caráter das pessoas. Na história, Dorian foi corrompido por sua beleza e pela ambição de ser jovem para sempre.